Vida em HD

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Como dizia o comercial de uma caderneta de poupança de trocentos anos atrás, “O Tempo Passa, o Tempo Voa”. Uma grande verdade, exceto pela parte final, que falava “continua numa boa”. Para ilustrar, tome um dia de vadiagem (quem pode, pode) para ficar pasmando na TV aberta. Pela manhã, jornais que falam da crise hídrica, ou um novo método de plantar hortaliças, enquanto no horário do almoço, lá pela uma hora da tarde, notícias mais quentes , como um assalto a uma padaria na zona leste de São Paulo, seguidas por programas de culinária que só uma senhora das mais desocupadas assistiria, mesmo sem televisão na cozinha para acompanhar o passo a passo daquele incrível pudim de pão amanhecido. De quebra, ainda aprende a fazer um lindo jogo americano com palitos de sorvete.

Mas a coisa vai ficando mais interessante à medida que começam as novelas, especialmente a das 9, certo? Porque o passatempo mais divertido é ver como os atores estão envelhecendo, seres humanos que são, e reaparecendo de alguma tumba do Projac. E dá-lhe Elisabeth Savala, Elizângela, Zezé Polessa, Lilia Cabral e uma Giulia Gam que conseguiu uma forma genética de desenvolver três queixos. Que dureza o HD! Alguma atriz de grosso calibre disse estar horrorizada com essa definição que aponta, sem dó, as rugas da quilometragem avançada no drama. Sugeriu que usassem burcas.

Para o progresso, uma maquiagem especial substitui a antiga, pelo visto com base oleosa que brilha mais que as atuações! Essa turma fazendo papéis secundários, tipo a avó da vizinha, a amiga da protagonista…tsc tsc.

Que ingratidão televisiva. Agora, convenhamos. Tem aquelas que ninguém explica como continuam com a mesma cara, lindas. A Cristiane Torloni, que, vejam só, “é do rock, bebê!”. Nathalia do Valle. Dormem em formol.

E cadê a Yoná Magalhães, a Lidia Brondi, a Lady Francisco, meu Deus?! Aproveitando a onda, podiam aparecer. Principalmente você, Maria Zilda. Sempre te amei.

Mario Bolzan