O difícil começo do fim

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Não concordei com Odete Roitman (que Deus a tenha) quando ela disse a sua irmã Celina, em uma memorável cena de “Vale Tudo”, que ‘não existe civilidade abaixo de Milão’.

Primeiro, porque amo Roma e Capri, e segundo por conta de um monte, um monte mesmo de coisas que acho que todos estão de comum acordo e se identificam, com exceção de algumas Odetes por aí.

Meio bravo, poderia dizer: que moral tem esta senhora para falar assim, com esse nome de quem faz bolo pra fora?

Mas tenho que concordar com uma coisa. O calor que está fazendo aqui nos Trópicos não pode ser nada além de um sinal de que estamos caminhando para o fim do mundo. O final dos tempos. Porque fazer 47 graus no Rio de Janeiro, com sensação térmica de 50, é inimaginável. Não é civilizado mesmo, porra! É o forno pré-aquecido da sua pizza congelada, é Botswana! É o Pangea novamente tomando forma e o Brasil se encaixa bonitinho ali na África.
Eu, sinceramente tenho medo, enquanto uma turma acha divertido fazer bonecos capengas de gelo de raspadinha lá no Sul. É quase neve, o pessoal conhecendo, e tal. Lindo. Mas podia rolar aqui também no eixo Rio – SP? Cariocas que não quiserem serão compreendidos, paulistas não. Estamos queimando os dedos nas maçanetas dos carros, derretendo pneus. Delícia sair para almoçar e voltar como se tivesse feito uma mudança de casa usando calça, camisa e sapato. É, porque tem isso, mulheres podem ir trabalhar seminuas, convenhamos. Sandalinhas, shorts e decotes. O que me faz lembrar meu querido e Gênio amigo Hermés Galvão, que no posto de editor-chefe da RG Vogue, lutava ao meu lado para respirar sem a ajuda do ar-condicionado que vivia desligado, já que as meninas tinham frio! Faça as contas: 25 pessoas em uma sala de janelas fechadas. Reclamavam, que ódio. A diretora de redação controlava tudo mantendo a temperatura na casa dos 40 graus dentro da sala, sensação térmica de matar todo mundo.

O Hermés gritava: “ Vocês vêm de biquíni, porra!”.

Verdade, ia de micro-roupas.

Sei lá o que será com esse El Niño ou diabo que o seja, mas nesse ponto, Odete em sua haute route tinha razão, e com certeza estaria mais seca. E em Gstaad.

Mario Bolzan